Econ - Reinaldo Carcanholo - Teoria do Valor e Preços de Mercado I
(... pulando uns textos, seguindo a recomendação anterior, pra voltar depois...)
Reinaldo Carcanholo - Teoria do Valor e Preços de Mercado:
96 - Sweezy diz que, para os economistas “do mercado”, teoria que não visa a explicar os preços (os fenômenos e tal) é perda de tempo.
97 - Ainda sobre valor e valor-de-uso: Sem essa qualidade social, sem serem valores, os valores-de-uso não seriam senão objetos úteis não intercambiáveis. (Eu não vejo assim, como se em toda troca houvesse vigência necessária da lei do valor. Pode haver troca de objetos úteis apenas por diferenças subjetivas - um tanto quanto imensuráveis - de apreciação quanto ao valor-de-uso. A sociedade regida pela lei do valor eu vejo como “outra coisa”, digamos assim. Outra “relação”, mais adequadamente falando) Quando um valor-de-uso adquire a qualidade de ser valor, constitui o que se chama mercadoria.
98 - Marx meio que diferenciando sociedade mercantil - mais ligada à reprodução simples - e sociedade capitalista: "O processo de produção, quando unidade do processo de trabalho e do processo de produzir valor, é processo de produção de mercadorias; quando unidade do processo de trabalho e do processo de produzir mais valia, é processo capitalista de produção, forma capitalista da produção de mercadorias."
99 - O valor, além de ser um atributo social da mercadoria, tem magnitude. Ela está determinada pela extensão e pela intensidade do esforço que a sociedade necessita gastar para produzir o valor-de-uso.
100 - E o valor do capital constante? Esses materiais e equipamentos implicam para a sociedade um esforço no momento em que são produzidos; por isso, a magnitude do valor de A é igual ao número de horas de trabalho socialmente necessário imediatamente utilizado em sua produção, mais o número de horas que corresponde a aquele gasto e desgaste.
101 - A circulação - o valor apropriado - não cria valor segundo Carcanholo: Se o preço de A fosse superior ao seu valor, ao sair da órbita do mercado, o produtor dessa mercadoria possuiria um valor maior que o inicial; mas somente ganharia na circulação por ter o outro produtor perdido, entregou parte de sua posse ao primeiro. (...) A maneira através da qual um capital individual se apropria de mais valia superior a que produz é vendendo sua mercadoria por um preço superior ao seu valor
102 - Marx no livro I: "A magnitude do valor da mercadoria expressa uma relação necessária entre ela e o tempo de trabalho socialmente necessário para produzi-la, relação que é imanente ao processo de produção de mercadorias.”
103 - Carcanholo: O capital e a mais valia são como pai e filho, tanto um como o outro nasce no mesmo instante, no momento em que surge o mais-dinheiro, expressão de um mais-valor, de uma mais valia. (Tenho que recordar minhas leituras, mas, ao que lembro, a diferença entre mais-valia das demais apropriações de (produção de) trabalho excedente é o elemento subjetivo (lembrei das aulas de direito penal), o fito específico de reprodução ampliada, transformando dinheiro em “mais-dinheiro” e aumentando a riqueza abstrata. Enfim, sociedade governada em escala muito maior pela lei do valor.
104 - A diferença entre taxa de lucro e de mais-valia tem uma origem: os capitais individuais produzem mais valia numa magnitude proporcional à sua parte variável (que se destina a pagar o valor da força de trabalho) mas exigem participar da mais valia total produzida na sociedade em proporção à magnitude total do valor que comprometem como capital. (Percebe-se que o que rege os investimentos é a taxa de lucro. É isso que atrai, repele e harmoniza. Assim sendo, a taxa de mais-valia cai variar bastante de setor para setor).
105 - Se a taxa de “mais-valia” fosse a equalizadora dos investimentos, creio que seria assim: “No capítulo VII do livro III, Marx nos mostra que, supondo taxas de mais valia e jornadas de trabalho iguais em toda a economia, as diversas composições orgânicas do capital e as divergências quanto ao período de rotação nos capitais médios dos distintos ramos da produção, determinam a coexistência de taxas de lucros distintas, no caso dos preços de mercado corresponderem aos valores.” (Por isso, os preços não podem corresponder aos valores. Do contrário, a taxa de lucro seria diferente e a livre-concorrência não teria lógica, já que os capitais deveriam migrar. Tudo bem que aqui estamos pressupondo muita racionalidade dos agentes, o que nem é tão real assim, mas seria, talvez, algo próximo a isso o esperado).
(continua...)
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