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Filosofia - Textos Diversos LXIX (Sérgio Lessa)

Sérgio Lessa - O Estatuto Ontológico da Essência : 516 - Retirado do artigo: "Lukács e a ontologia: uma introdução" da revista Outubro nº 1. 517 - Supremacia ontológica da essência até Hegel é inconteste: a existência do fenômeno é, para sermos breves, de segunda ordem, decorrente da existência primordial da essência . 518 - Marx opera uma reviravolta nesta concepção, segundo Lukács. Para Marx, a essência e o fenômeno são categorias que possuem o mesmo estatuto ontológico, são igualmente existentes e igualmente necessárias ao desdobramento de todo e qualquer processo. 519 - A questão que Marx observa nos processos (de uma semente a uma árvore, por exemplo) é que a singularidade dos momentos do processo não significa, contudo, que não haja, também, elementos de continuidade que os permeiem a todos . 520 - Assim: diferente de todas as ontologias anteriores, o desenvolvimento dos fenômenos exerce uma influência real no desdobramento da essência que, no limite, pode...

Filosofia - Textos Diversos LXVIII

  Sartre - A Existência Como Liberdade Absoluta : 492 - O “Ser e o Nada” é, para muitos, a sua maior obra. 493 - Ficou ao lado dos estudantes no maio de 68. 494 - Afirma que o papo sobre essência do homem advém da ideia de que todo objeto é criado/projetado por alguém antes. A essência vem primeiro, a ideia de uma máquina, por exemplo. Assim, O homem seria o projeto de Deus. Foi concebido e depois existiu. 495 - Premissa de Sartre é a de que não existe a natureza humana. Não se pode saber o que o homem é antes de ele existir . O que há é a condição humana. O que é, então, o homem? Nada, responde. O homem nada é enquanto não fizer de si alguma coisa.   Exatamente por isto ele é para si, no sentido de ser aquilo que fizer de si. Neste ponto o existencialismo sartreano retoma a idéia heideggeriana de projeto: a existência é um projetar-se no sentido de impulsionar-se para o futuro. 496 - O conteúdo da consciência não é outro senão os objetos que ela visa e reflete. A p...

Filosofia - Textos Diversos LXIII - Possibilidade da Dialética Marxiana na Sociedade Póscapitalista

  Possibilidade da Dialética Marxiana na Sociedade Póscapitalista : 439 - Os historiadores do pensamento grego consideram Heráclito de Éfeso, o iniciador da dialética, diversamente de Aristóteles, para quem a dialética teria sido criada por Zenão de Elea. 440 - Em Heráclito, já era o mundo se movimentando pela reação entre contrários. Chega a citar a guerra. 441 - a dialética platoniana vai para o metafísico porque advém de investigar o mundo inteligível, o das ideias: C onsiderando que o plano sensível, com sua natureza mutável, carece de objetividade e só nos proporciona a opinião das coisas, a proposta platônica será a de evidenciar as contradições das aparências e suscitar a necessidade da dialética como "ato superador das aparências. (...) A dialética ascendente é entendida "no sentido de que a alma deve subir até alcançar a contemplação das Idéias"; quanto à dialética descendente, entende-se que o conhecimento que é buscado além das contradições do plano sens...

Filosofia - Textos Diversos LV

  Merleau Ponty - O fantasma de uma linguagem pura : 301 - Não sei onde ele quer chegar. Eu sei que a linguagem tem vantagens contra o algoritmo e vice-versa. O algoritmo, o projeto de uma língua universal, é a revolta contra a linguagem dada. 302 - Frases muito abertas, que permitem interpretações variadas. Parece um poema, só que não é né?! Em todo caso, jamais encontramos na fala dos outros senão o que nós mesmos pusemos, a comunicação é uma aparência, ela nada nos ensina de verdadeiramente novo.   Michel Aires de Souza - Marx e Nietzsche, Diálogo Possível :              303 - Nietzsche identificou a razão e a racionalidade com a decadência e o ódio aos instintos. 304 - Ambos concordam que o ser humano não é algo acabado, pronto, estável, não existe uma natureza humana já definida. Em Marx, o ser é determinado por aquilo que ele faz. Sujeito determinado pelo seu ser social. Enquanto Marx valoriza os modos de produção na gênese ...

Filosofia - Textos Diversos XLIII

  José Amorim de Oliveira Jr. - A fraqueza e a transgressão como elementos de obtenção do melhoramento : 71 - Nas comunidades fortes, com costumes e moral muito definidas, se um indivíduo”sai” e experimento novidades, estará fazendo isso sem o apoio, estabilidade e força dessa comunidade. Portanto, será “fraco” nessa empreitada. Porém, para o filósofo alemão, isso não parece ruim: a instabilidade, a desordem, inoculada pelo indivíduo fraco, que possibilita a idéia de se quebrar o ciclo da moral, de sair-se do embrutecimento (“sombra da estabilidade”) . Ou seja, insgurança pode ser um progresso. 72 - A ilustração que o autor usa pode passar-nos por simplista, mas ela retrata bem o que ele quer dizer: “raramente uma degeneração (...) não tem uma vantagem por outro lado. (...) O zarolho terá um olho mais forte”, por exemplo, visto que ele transforma uma fraqueza em algo positivo, em um progresso.   José Amorim de Oliveira Jr. - Afirmação da Existência, em Nietzsche : 73...

Filosofia - Textos Diversos XXXV

  Introdutorio Metafisica de Bergson : 595 - Tem a intuição espiritual (muito mal definida) e a real, que se divide, por sua vez, em intelectiva, volitiva e emotiva. 596 - A intelectiva quer desvelar a essência de um objeto. 597 - A volitiva tem a ver com a vontade. Não há o intelecto. Bem mal explicada também. Creio que é a coisa de Schopenhauer ou Nietzsche. Dois malucos. 598 - A emotiva é também por fora do intelecto, pois busca os valores. Mais uma mal explicada. Ao menos nesse texto. Coloca que Bergson vai se filiar a ela. 599 - A grande originalidade de H. Bergson está em mostrar que, efetivamente, existem vastas regiões da realidade, onde o conhecimento científico não penetra, nem pode penetrar; regiões acessíveis unicamente à filosofia ou metafísica . (Ou pelo menos acha ele)... Assinalamos, pois, à metafísica um objeto limitado, principalmente o espírito, e um método especial, antes de tudo a intuição. (...) Reconhecendo à ciência o poder de se aprofundar na matéria...

Filosofia - Textos Diversos XXXIII

  Herman Hesse - Dentro e Fora : 567 - É um conto de onze páginas sobre um rapaz com apreço pela ciência que começa a ver crescer seitas e superstições. Encontra um amigo, ex-cientista e que agora se dedica à magia. O encontro é cômico. O fim é interessante.   Hermano Vianna - O Antiedipo e a Antropologia : 568 - Não é facil explicar O Anti-Édipo. Não é fácil explicar um livro onde, segundo Deleuze, "não há nada para explicar, para compreender, para interpretar ." Que vontade de não ler esse texto lendo isso. 569 - Tudo é máquina. Literalmente. Esse é o ponto um do livro dos caras. 570 - Texto impossível de interpretar porque metade está em francês e outra metade em deleuzês, o que é pior ainda. O que está em português está bastante mal explicado (o que pode ser defeito do livro ou até meu).   Introdutorio Heiddeger : 571 - Heidegger empreenderá agora o esforço de voltar aos fundamentos da metafísica e recuperar o sentido do Ser. 572 - O homem é, pois, a questã...

Filosofia - Textos Diversos XXXII - Hegel, Introdutório Para Lê-lo

 (continuação...) 545 - Hegel e a identidade de opostos:  1) este princípio imprincipiado deve ser, num sentido, uno e múltiplo. Dele todas as coisas devem proceder necessariamente. 2) Mas se "C" procede de "B" e "B" de "A", segue-se que "C" esteve contido antes em "B" e "B" contido em "A". Afinal, o primeiro princípio deve, de uma certa maneira, conter todas as demais coisas.  (...)  A idéia de uma "identidade de opostos" parece esquisita à primeira vista. Não será tão estúpida se refletirmos mais. Se admitirmos que no universo há seres opostos, contraditórios, e se admitirmos que tudo veio de um único ser, qual será a conclusão? Que, em algum momento, opostos são idênticos . São opostos e idênticos. 546 - Contradição e luta dos opostos. “Deve haver uma contradição no ovo, na semente e na criança”  Se tudo estiver profundamente pacificado dentro de cada um destes três exemplos, se nenhuma luta, c...

Filosofia - Textos Diversos XXXI - Hegel, Introdutório Para Lê-lo

  Hegel - Introdutório Para Lê-lo : 529 - Pode-se explicar uma coisa pela causa ou pela razão. A primeira fornece uma explicação realista. A segunda fornece uma explicação idealista. 530 - Hegel diz que a explicação causalista/realista vai só adiando a explicação de verdade. Uma causa que tem causa nisso que tem causa naquilo e causa naquilo outro… E nunca se chega à explicação definitiva. (algo do tipo: quem causou o big bang?) 531 - Então Hegel quer que as coisas se expliquem pela razão. Um fogo pode um dia não queimar, mas dois mais dois têm que ser sempre quatro e isso sim é explicação racional. 532 - Coisa (matéria) é individual. Razão não é coisa. È universal. As leis da trigonometria, por exemplo. 533 - Quer-se a razão do Universo e não uma “explicação” causal. 534 - Platão também pretendeu explicar as coisas a partir da ideia: Vejo neste mundo uma mesa, uma cadeira, um lápis. Não passam de sombras das idéias de mesa, cadeira, lápis, que se encontram no mundo das Idé...

Filosofia - Textos Diversos XXVIII - O Existencialismo de Sartre (Gerd Bornheim)

  Gerd Bornheim - O Existencialismo de Sartre : 453 - A existência precede a essência é de Heidegger. Sartre é o único que não se incomoda com o rótulo “existencialista”. Não há uma natureza humana  a priori  em Sartre. Não existe um Deus para incutir uma natureza humana, essência primordial. 454 - Sartre:  O ser e o nada (1943), adota o método fenomenológico . A segunda obra adota o método marxista, crítica da razão dialética em 1960. E no fim da vida, vai ao método da psicanálise. 455 -  O ser se define pelo princípio de identidade: ele é o que ele é. A consciência, ao contrário, não é idêntica consigo mesma, toda busca de auto-identificação devolve-a imediatamente ao outro que não ela mesma. (...) Assim, a consciência só se deixa definir pelo princípio de contradição: ela é o que não é não é o que é. 456 - Em Sartre, não há espaço para o nada no ser. 457 -  A consciência é um ser que, em seu ser, é consciência do nada de seu ser. 458 -  O homem é ha...