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Gustavo Machado - textos Sobre Marx e táticas

  Gustavo Machado - Marchar Separado, Golpear Juntos, De Marx à Trotsky : 74 - Marx afirmava que democratas pequeno-burgueses e operários poderiam golpear juntos um inimigo comum. Coloca, entretanto, que não se deve abrir mão de um programa próprio. Citação de Marx: Ao lado dos candidatos burgueses democráticos figurem em toda parte candidatos operários, escolhidos na medida do possível entre os membros da Liga, e que para o seu triunfo se ponham em jogo todos os meios disponíveis. Mesmo que não exista esperança alguma de triunfo, os operários devem apresentar candidatos próprios para conservar a independência, fazer uma avaliação de forças e demonstrar abertamente a todo mundo sua posição revolucionária e os pontos de vista do partido. Ao mesmo tempo, os operários não devem se deixar enganar pelas alegações dos democratas de que, por exemplo, tal atitude divide o partido democrático e facilita o triunfo da reação . 75 - A fonte: Não se trata, portanto, da análise de um caso espe...

Gustavo Machado - István Mészáros e a teoria do socialismo em um só país II

 (continuação...) 63 - O capital continuou dominando portanto a sociedade “pós-capitalista do tipo soviético”. 64 - Algumas críticas que Gustavo fez a Mészáros logo após eu não vi sentido algum. Que fundo de consumo assegurado teria o trabalhador soviético? E como o controle do processo de trabalho não seria direto? Capitalista compra força de trabalho justamente para exercer esse comando. Isso é tão verdade quanto o fato de que o capitalista não “pode mais” que a relação capital, mas não altera a conclusão. Ou então seria crer que o controlador do capital é magnânimo e consegue romper a relação gerindo tudo em interesse social-coletivo. 65 -  Marx diz que o “trabalhador […] não é mais do que tempo de trabalho personificado. Todas diferenças individuais se dissolvem na distinção entre trabalhadores” (MARX, 2013, p. 317). Toda colorida “multidão de trabalhadores de todas as profissões, idades e sexos que nos atropelam com mais sofreguidão do que as almas dos mortos a Uliss...

Gustavo Machado - István Mészáros e a teoria do socialismo em um só país I

Gustavo Machado - István Mészáros e a teoria do socialismo em um só país : 54 - Como se sabe, a teoria do socialismo em um só país foi obra de Bukharin e Stálin em dezembro de 1924 . Não significa - nunca significou - o abandono completo da revolução internacional. A teoria do socialismo em um só país se caracteriza por postular a possibilidade do sucesso e continuidade de uma revolução isolada, isto é, a possibilidade de uma revolução socialista sobreviver e se consolidar mesmo em meio a um mundo imerso em relações sociais capitalistas . 55 - A expansão deixa de ser condição necessária para a vitória do “só país”, a qual se torna “possível e provável” - termos de Stálin. 56 - A internacionalização, tese contrária, visava evitar o retorno do capitalismo: quer seja por interferência externa, quer seja pela impossibilidade de reprodução interna de um modo de produção pretensamente “socialista” em meio ao capital . 57 - Stálin escreveu, porém, que o triunfo ainda não estava assegurad...

Gustavo Machado - FASCISMO, de direita ou de esquerda II

 (continuação...) 40 - Critica a ciência humana moderna como fábrica de conceitos (e novidades tais), tendo deixado de se extrair esses da realidade.  Fato é que os termos “esquerda” e “direita” não possuem substância, não possuem uma conceituação objetiva passível de ser determinada em si e por si mesmas, dando margem a todo tipo de trapaças teóricas. 41 -  Ainda em 1974, a defesa do fascismo como uma corrente tipicamente de esquerda é defendida pelo conservador austriaco Erik von Kuehnelt-Leddihn em seu livro Leftism, From de Sade and Marx to Hitler and Marcuse. Mais recentemente, em 2008, a tese foi reerguida por Jonah Goldberg no livro Liberal Fascism: The Secret History of the American Left, From Mussolini to the Politics of Meaning. Este livro chegou a ocupar a primeira posição no ranking de vendas nos Estados Unidos por algumas semanas, considerando apenas obras de não-ficção. Golberg vai mais longe no jogo de conceitos: procura identificar, por meio de analogias e...

Gustavo Machado - FASCISMO, de direita ou de esquerda I

Gustavo Machado - FASCISMO, de direita ou de esquerda : 36 - Uma das dificuldades do debate: Sobretudo no caso do fascismo que, como mostra Modris Eksteins, baseava seus discursos mais em motivos estéticos e subjetivos do que racionais e objetivos. Na expressão desse autor, tratava-se de “mentir com beleza”. “A política se tomaria ‘verdadeiro’ teatro, em oposição à pose solene da era democrática” (EKSTEINS, 1992, p.395) ou, na expressão de Walter Benjamin, o fascismo foi a “estetização da política” (BENJAMIN, 1985) . 37 - Hitler, Mussolini e Goebbels criticavam também o capitalismo em discursos. Louvavam o passado glorioso, mas também o futuro. De glórias e de um novo homem. Pierre Drieu La Rochelle, dizia em um dos seus ensaios (1934) que o verdadeiro socialismo é o fascismo. Entre suas influências, menciona Georges Sorel, Saint-Simon, Charles Fourier e Proudhon. Sorel, aliás, considerados por muitos um socialista romântico ou um marxista heterodoxo foi referência de grande parte d...

Gustavo Machado - A Revolução Russa é a negação de ‘O Capital’ de Marx

Gustavo Machado - A Revolução Russa é a negação de ‘O Capital’ de Marx : 22 - É uma pergunta, já que a revolução foi vitoriosa justamente num país europeu atrasado.. 23 - Poucos meses depois da publicação do Manifesto o levante de junho de 1848 na França mostrara que o proletariado poderia se colocar em luta em função de seus próprios interesses, antes de marchar necessariamente a reboque de outras classes sociais. 24 - Impacto pelo mundo: Como ilustração do impacto avassalador da Revolução Russa basta rememorar que, em meados de 1921, o III Congresso da Internacional Comunista, criada sob o influxo da revolução bolchevique, reuniu 605 delegados, de 103 organizações que representavam 52 países de todos os continentes. Parte expressiva desses partidos já possuíam dezenas de milhares de membros. Ver: (BROUÉ, 2007, p.288-299) . 25 - Marx inclusive esculhambava a diplomacia russa e o czar pelo seu papel tradicionalmente contrarrevolucionário. Seu juízo sobre a Rússia é tão severo que...

Textos Aleatórios de Economia e Política I

  Guilherme Boulos - Uma Honra Para o MTST : 10 - Amato acusa o MTST de furar a fila dos cidadãos de bem nas conquistas sociais. 11 -  Chega a ser engraçado vê-los falar de pressão indevida sobre o Judiciário quando as associações empresariais costumam bancar os congressos de juízes em hotéis e praias paradisíacas. 12 - Sobre a acusação, deixa claro que o movimento está apenas tentando participar de um jogo que não é neutro:  Quem acompanha a política habitacional no país sabe bem que essas filas são um verdadeiro engodo. Há pessoas que esperam décadas sem qualquer resultado. E frequentemente são definidas por interesses político-eleitorais. Acreditar que as prefeituras, que gerenciam os cadastros habitacionais, são entidades neutras e isentas de critério político é de uma incrível ingenuidade. Se essas filas funcionassem de fato, o movimento popular de luta por moradia não teria a força que tem, com a adesão de centenas de milhares de pessoas necessitadas. 13 - Afirma qu...

Filipe Celeti - Anarcocomunismo, socialismo libertário e libertarianismo de esquerda

  Anotações Sobre “ Textos Aleatórios de Economia e Política ” (Novos).       Obs.: Estes textos da pasta NÃO estão organizados por ordem de data. Ordem alfabética.   Filipe Celeti - Anarcocomunismo, socialismo libertário e libertarianismo de esquerda : 1 – Jorge Esteves da Silva está correto ao apontar que o termo libertário foi introduzido pelos teóricos anarquistas franceses no século XIX. Se não há, nem deveria ter, direitos de propriedade sobre o uso de palavras, o uso do termo libertário pode se modificar ao longo da dinâmica existente nas transformações linguísticas que sempre ocorreram na história. 2 - O termo libertário começa a ser utilizado como oposição ao mutualismo proudhoniano, um sistema que defendia direitos de propriedade e remuneração proporcional ao trabalho realizado. (...) coletivismo é diferente . Estes anarquismos que rejeitam uma liberdade de associação com salários e preços, o chamado anarquismo social, podem ter um caráter co...

Econ - Uallace Moreira Lima - O debate sobre o processo de desenvolvimento econômico da Coréia do Sul IV

 (continuação...) 623 - Excepcionalidades da Coréia:  o mercado coreano passou a ser altamente concentrado, com pequenas e médias empresas tendo pouco espaço no país. Segundo Kim (2005a), um exemplo da alta concentração que predominou no país é o fato de que em 1977, 93% de todas as mercadorias e 62% de todas as vendas foram produzidas em condições de monopólio, duopólio ou oligopólio, sendo que os três maiores produtores eram responsáveis por mais de 60% de participação no mercado. Além do mais, os dez maiores chaebols foram responsáveis por 48,1% do PNB em 1980, ficando evidente o alto nível de concentração de mercado e o poder dos chaebols na Coreia do Sul. 624 -  Os anos 1960 foram marcados pelo processo de reestatização do sistema bancário, fazendo com que o comando estatal predominasse tanto sobre os fluxos de crédito interno como também externo, com o objetivo de financiar o processo de industrialização.  Os bancos eram estatais. 625 - A privatização do sistem...

Econ - Uallace Moreira Lima - O debate sobre o processo de desenvolvimento econômico da Coréia do Sul III

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 (continuação...) 616 - Coréia e propriedade:  Essa relação vai implicar em uma estrutura de propriedade do capital em que as empresas estatais e os chaebols irão ser elementos fundamentais no processo de diversificação industrial orientado para as exportações, além de uma política de restrições ao investimento estrangeiro direto (IED). 617 -  Se no início dos anos 1960 predominava uma política menos restritiva para o ingresso de qualquer forma de capital estrangeiro, que permitia a entrada de subsidiárias estrangeiras no país sem grandes restrições, nos anos 1970 o governo adotou uma política mais restritiva, com maior controle sobre a entrada de investimento estrangeiro direto. Essa política de controle sobre o IED foi marcada nos anos 1970, principalmente, pela imposição de critérios tais como a proibição de empresas estrangeiras que concorressem com as empresas nacionais tanto no mercado interno como no mercado externo, exigência de performance exportadora aos IEDs qu...

Econ - Uallace Moreira Lima - O debate sobre o processo de desenvolvimento econômico da Coréia do Sul II

 (continuação...) 599 - Coréia e vantagens comparativas?  Os autores sustentam seus argumentos mostrando que tais políticas não influenciaram no ganho de competitividade da Coreia do Sul, pois quando se compara o sistema de incentivos da Coreia com outros países, observa-se um nível de proteção e incentivos bem mais baixos do que outras nações ou de acordo com os padrões internacionais, ficando claro que na Coreia predominou uma zona livre de comércio. 600 - Banco Mundial de certa forma aprofunda o argumento acima:  A política de proteção de importações tinha efeito nulo e gerava um sistema de incentivos neutro já que havia a política de subsídios para as exportações, isto é, a política de proteção às importações (que gerava distorção de preços) resultante do modelo de substituição de importações, era neutralizada pela política de subsídios às exportações (que gerava o equilíbrio no sistema de preços) através do modelo de desenvolvimento de industrialização exportadora de...

Econ - Uallace Moreira Lima - O debate sobre o processo de desenvolvimento econômico da Coréia do Sul I

  Uallace Moreira Lima - O debate sobre o processo de desenvolvimento econômico da Coréia do Sul : 593 - Se for verdade que o cenário externo se mostrou favorável à Coreia do Sul, é inegável que a coesão entre Estado orientado por uma elite desenvolvimentista e oligopólios privados que aceitavam – e em certa medida influenciavam – a oferta de subsídios e a orientação estratégica estatal maximizou a oportunidade externa. (...) Por exemplo, é provável que os governos dos Estados Unidos e do Japão tenham feito gestões junto a seus bancos privados para que não interrompessem o financiamento externo à Coreia durante a crise financeira global de 1982, mas a capacidade de geração de reservas cambiais por meio de exportações industriais afastava essa decisão bancária do tipo de ajuda a fundo perdido, uma característica da década de 1950, ou seja, os bancos fizeram um bom investimento que recuperaram rapidamente. 594 - Banco Mundial e afins colocam o segredo na ênfase nas exportações. A c...

Econ - Um estudo sobre a evolução da carga tributária no Brasil - Uma análise a partir da Curva de Laffer

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  Um estudo sobre a evolução da carga tributária no Brasil - Uma análise a partir da Curva de Laffer : 635 - Arthur Laffer (1979), economista norte-americano, desenvolveu uma interessante tese conhecida como “Curva de Laffer”, que analisa a relação entre o nível de arrecadação e de tributação em uma nação. (...) De acordo com a teoria, a partir de um determinado ponto da curva (nível de tributação), a elevação das alíquotas dos tributos produz efeito inverso, isto é, a arrecadação reduz-se proporcionalmente, pelo esgotamento da capacidade contributiva. 636 - De 1920 a 1958, a carga tributária acumulou aumento de mais de 170% passando de 7% para 19% do PIB. 637 - Os tributos diretos, como por exemplo o imposto de renda, serão sempre maiores se houver aumento nos salários e nos lucros reais. Por outro lado, os impostos indiretos, como a Cofins e o ICMS, aumentarão com o crescimento da economia. 638 - Adam Smith: … impostos altos, às vezes pelo fato de reduzirem o consumo das merc...

Econ - Tiago e Niemeyer - Condições históricas do planejamento

  Tiago e Niemeyer - Condições históricas do planejamento : 576 - Analogamente, Carr (1947) afirma que tanto o Mundo Ocidental quanto a União Soviética chegaram ao conceito de planning como forma de condução da economia nacional na mesma época, embora por circunstâncias diferentes. 577 - Cada lado, porém, usou fontes diferentes para balizar seus tipo de planejamentos. 578 - Intervenção restringe-se à manipulação de variáveis macroeconômicas, com o objetivo de atingir estabilidade, ou seja, de reduzir a amplitude dos ciclos econômicos. A intervenção é, por isso, uma atividade estatal que não pretende subverter a lógica de alocação dos recursos pelo sistema de preços livres, mas visa apenas criar as condições para que esse mesmo sistema funcione dentro de condições predeterminadas. Por outro lado, essa ação deliberada sobre o mercado não corresponde ao modelo econômico liberal perfeito, com o que se pode argumentar que tanto a intervenção econômica, em sua forma de aparição espec...

Econ - Textos Variados XXVII (Site Voyager)

Site Voyager - Suposta Relação CLT-Fascismo : 563 - Evaristo de Moraes, ao lado do também socialista Joaquim Pimenta, fez parte do seleto grupo que criou as primeiras leis trabalhistas no período varguista. Tais leis seriam mais tarde agrupadas e sistematizadas, sendo incorporadas à CLT. (...) . Muitas vezes os livros de história esquecem que uma das causas da Greve de 1917 era o assédio sexual, que, como vimos no caso da dona Sultana, era algo rotineiro. 564 - Ao longo dos anos 1920 foram criadas as Caixas de Aposentadoria (CAPs), as leis contra acidentes de trabalho, o Conselho Nacional do Trabalho (CNT), a lei de férias e o Código de Menores, para proteger e regular o trabalho infantil. (...) Muitas dessas leis não entraram em vigor porque a União não tinha os meios para implementá-las. O citado Código de Menores, por exemplo, só foi de fato posto em prática nos anos 1930. 565 - Getúlio em 1930: A Aliança Liberal, portanto, era uma colcha de retalhos, cujo único interesse comum ...

Econ - Site Voyager - Suécia Não Se Desenvolveu Graças ao Liberalismo II

 (continuação...) 552 -  Com o líder inglês Winston Churchill retaliando o país pela sua posição de “neutralidade”, o comércio para a Grã-Bretanha foi reduzido em 70%. A partir daí, 37% dos bens exportados pela Suécia se dirigiram à Alemanha. Particularmente notórias foram as exportações de minério de ferro. 553 -  Na década de 1950, foi instituído o Plano Rehn-Meidner, equalizando os salários do mesmo tipo de mão de obra em todas as indústrias, pressionando os empresários dos setores que pagavam salários relativamente mais baixos a aumentar o estoque de capital e propiciar aos dos setores melhores remunerados reter lucros extras e poderem acelerar projetos de expansão; concomitantemente se operava políticas públicas de realocação de mão de obra . 554 -  Em 1957 o país implanta um programa social de renda mínima por transferências. 555 -  Por meio do Ministério da Empresa e Inovação, o Estado possui cerca de 49 empresas sob controle total ou significativo. Um fa...