Livro: Michal Kalecki - Teoria da Dinâmica Econômica - Capítulos 6 a 15
Livro: Michal Kalecki - Teoria da Dinâmica Econômica
PARTE TERCEIRA - A Taxa de Juros
Pgs. 86-93
"CAPÍTULO 6: "A Taxa de Juros a Curto Prazo"
55 - Não se trata de poupança e oferta e demanda de capital, segundo Kalecki. Investimento já criaria poupança de idêntico valor. Iremos tratar de demonstrar que a taxa de juros a curto prazo é determinada pelo valor das transações e pela oferta monetária por parte dos bancos; e que a taxa a longo prazo é determinada por previsões da taxa a curto prazo baseadas na experiência passada e por estimativas do risco envolvido na possível depreciação do ativo realizável, a longo prazo (ver capítulo 7).
56 - Coloca que a velocidade de circulação depende da taxa de juros de curto prazo. Quando V for alto, isto é, a retenção de dinheiro líquido for bem pequena com relação ao volume dos negócios, será preciso um aumento bastante grande da taxa de juros a curto prazo para motivar uma redução adicional do encaixe monetário. Ninguém irá querer ficar com dinheiro na mão ao que entendo, daí a velocidade. Traz dados mostrando correlação.
57 - Dados interessantes (Reino Unido): Calcula-se que no ano de 1930 as operações financeiras tenham representado cerca de 85% do volume total dos negócios. Por outro lado, as contas correntes financeiras dificilmente representarão mais que um terço desse total. Essa desproporção obviamente reflete a velocidade de circulação muito maior das contas financeiras em comparação com as não financeiras.
58 - Defende a equação abaixo. Ela demonstra que, com um dado valor de transações, T, um aumento na oferta de moeda, M, por parte do sistema bancário, provoca uma queda na taxa de juros a curto prazo.
59 - Oferta de dinheiro pelos bancos (imagino que ele trate de uma época em que o BC intervia bem menos) e taxa de juros: Parece que em geral essa oferta de dinheiro flutua menos que o valor das transações, de forma que a velocidade de circulação e a taxa de juros a curto prazo aumentam na fase de prosperidade e caem na depressão.
60 - Pós-32 e afins: Contudo, nos anos de recuperação, a taxa a curto prazo continua a cair, refletindo assim uma tendência básica da política bancária, voltada para o “dinheiro fácil”.
Pgs. 94-103
"CAPÍTULO 7: "A Taxa de Juros a Longo Prazo"
61 - Obviamente não vou me debruçar a compreender esse modelo, só li. De toda forma, a ideia geral é que a taxa de juros de longo prazo tenderia a seguir uma média das taxas de curto esperadas para o período. De toda forma, porém, as modificações de curta duração na taxa de juros, a curto prazo, ρ, refletem-se apenas em parte na estimativa de ρe . (2) A taxa a longo prazo, r, modifica-se em proporção menor que ρe , que é a taxa média a curto prazo esperada para os próximos anos.
62 - Vejo isso há doze anos. Investidor aposta que variações muito fora da linha são passageiras. Gráfico creio que referente a títulos de longo prazo:
63 - ...Tabela interessante também:
64 - Período 1919-1922 é o da "inflação do pós-guerra", lembra.
65 - Comparação com os EUA:
66 - ...(a) há um aumento significativo na taxa a longo prazo dos Estados Unidos em 1932, refletindo a intensidade do pânico financeiro; (b) não há elevação em 1937 e 1938, em contraste com o Reino Unido, onde a taxa a longo prazo foi afetada pela situação política mundial.
67 - Resumindo: A taxa a curto prazo normalmente cai num período de depressão e sobe num de prosperidade, porque a oferta monetária sofre flutuações menores que as do valor das transações. Mas a taxa a longo prazo reflete essas flutuações apenas em certa medida. De fato, a taxa a longo prazo se baseia na taxa média a curto prazo esperada para os próximos anos, e não na taxa a curto prazo corrente. Assim, a taxa longa, que é a que vale para a maioria dos investimentos, teria pouco poder de influência sobre os ciclos. (Hoje em dia os BC's manipulam a longa também, com QEs e afins, então essa conclusão ficou datada?).
PARTE QUARTA - A Determinação do Investimento
Pgs. 104-109
"CAPÍTULO 8: "O Capital da Empresa e o Investimento"
68 - O capital ajudando a ganhar mais capital: O acesso de uma firma ao mercado de capitais, ou, em outras palavras, o volume de capital que pode esperar obter de investidores, é determinado em grande parte pelo volume do capital dessa empresa.
69 - ...Se, por exemplo, uma firma tentasse recorrer à emissão de títulos, sendo essa emissão desproporcional ao capital da empresa, não conseguiria subscrição total. Mesmo que a firma procurasse emitir os títulos a uma taxa de juros acima do normal, a venda dos títulos poderia se beneficiar com isso, uma vez que a própria taxa mais elevada poderia levantar dúvidas quanto à solvência da firma no futuro.
70 - Isso via de regra, creio: As diferenças na posição relativa das firmas determinadas pelo capital das empresas são aprofundadas pelo fato de que as firmas abaixo de um certo tamanho simplesmente não têm acesso ao mercado de capitais.
71 - Resumo: Muitos economistas supõem, pelo menos em suas teorias abstratas, um estado de democracia econômica onde qualquer pessoa com o dom da habilidade empresarial pode obter capital para iniciar um negócio. Esse quadro das atividades do empresário “puro” não é, para pôr a coisa em termos modestos, realista. O pré-requisito mais importante para alguém se tornar empresário é a propriedade de capital. (...) Um dos fatores importantes com relação às decisões de investir é a acumulação do capital das firmas a partir dos lucros correntes.
Pgs. 110-122
"CAPÍTULO 9: "Os Determinantes do Investimento"
72 - Mais modelagem. Essencialmente pra dizer que + poupança e lucros = + investimento. A parte sobre equipamentos não sei se entendi bem. Tirou a taxa de juros de longo prazo do bolo/equação. Pelas razões vistas no capítulo anterior e porque o aumento de juros entra na "queda dos lucros". As "inovações" também influenciam a coisa, mas ele vai tratar em outro capítulo.
73 - Após, trata de umas teorias da época que nem sei o que queriam. E, em seguida, volta a falar da modelagem e da equação em termos que não sou eu quem vou me esforçar pra entender. Enfim... Esse capítulo foi só fórmula pé-no-saco. No fim, coloca-se que o investimento depende da atividade econômica...
Pgs. 123-133
"CAPÍTULO 10: "Ilustração Estatística"
74 - Longa digressão sobre se o hiato temporal da decisão de investimento deve ser de um ano ou seis meses. Estoque e lucros anteriores são os parâmetros. (Discussão sonífera). Supôs hiatos de um ano e depois o de meio ano, conforme tabelas (o "...fixo calculado, da última coluna, é o que deveria dar por cada modelo, pra comparar com a primeira coluna, o real):
75 - ...Um "detalhe" importante é que, na de um ano, busca-se correlação dupla. Já na de meio ano, "Como dissemos, parece que nesse caso a correlação parcial com a modificação dos lucros pode ser descartada". Poupança bruta comanda. (...) O coeficiente de correlação é 0,972, muito mais elevado que o coeficiente da correlação dupla da variante θ = 1.
76 - E quanto ao investimento em estoques? A equação de regressão do investimento em estoques, J, com relação à taxa de modificação da produção no ano precedente é a seguinte: (...) Jt = 0,215 (Ot – 1 2 – Ot – 3 2 ) – 0,08 . (...) O coeficiente de correlação é 0,913. Boa correlação
77 - ...E se usar hiato de 1/2y no caso acima? O coeficiente de correlação aqui é apenas 0,828, muito mais baixo, portanto, que na variante θ = 1.
78 - Resumo de tudo? De acordo com essas equações, o investimento total é determinado tanto pelo nível das atividades econômicas como pela taxa de modificação desse nível em uma ocasião anterior. (Como ele também diz que a atividade econômica é determinada principalmente pelo investimento, fica complicado...)
PARTE QUINTA - O Ciclo Econômico
Pgs. 134-148
"CAPÍTULO 11: "O Mecanismo do Ciclo Econômico"
79 - Da suposição do equilíbrio do comércio externo e do orçamento, conclui-se que a poupança é igual ao investimento: S = I. Daí saem equações e mais equações. Não dá pra entender muita coisa.
80 - Expõe certo mecanismo autorregulatório da taxa de investimento, baseado em acumulação ou escassez de estoques e coisas afins, porém, adverte: o efeito dos “choques irregulares”, ε na equação (23′′) contrabalança o amortecimento inerente ao mecanismo básico. Não necessariamente as flutuações serão sempre progressivamente amortecidas. Chama, assim, o ciclo de "semirregular". Após, coloca também que toda essa regularidade pode não acontecer... Depende dos amortecimentos. Enfim, tanto modelo pra imperar a realidade...
81 - Veremos adiante que o nível de capital fixo varia relativamente pouco no decurso do ciclo, de modo que as flutuações da produção refletem principalmente as modificações do grau de utilização do equipamento.
82 - Baseado nos EUA de 29 a 40, estima que se o nível de investimento cair uns dois pontos percentuais (exemplo meu), o nível da renda/produto tende a cair uns 5,4p.p. mais ou menos.
83 - ...Porém: as flutuações do grau de utilização do equipamento são de uma ordem semelhante às do montante da produção.
84 - Alguma ociosidade na parte normal do ciclo: A reserva de equipamentos e o exército industrial de reserva são características típicas da economia capitalista durante uma parte considerável do ciclo.
Pgs. 149-154
"CAPÍTULO 12: "Ilustração Estatística"
85 - Ressalvas quanto à ilustração deste capítulo: Uma vez que ele se baseia em equações correspondentes àquelas que estavam subjacentes à teoria desenvolvida no capítulo anterior, as suposições simplificadoras ali feitas terão que ser mantidas. Assim, continuaremos a supor que o comércio exterior e o orçamento do governo permanecem equilibrados, embora certamente não tenha sido isso o que sucedeu nos Estados Unidos no período 1929/40. De toda forma, Kalecki prosseguirá.
86 - Apresenta resultados, sobre os quais nada tenho a comentar, pois nada entendi.
Pgs. 155-160
"CAPÍTULO 13: "O Ciclo Econômico e os Choques"
87 - (Não que eu tenha entendido muita coisa, mas...) Usou frequência de "distribuição normal" de erros (os quais simulam choques externos de diferentes impactos) nas equações dele pra gerar um gráfico de ciclo aceitável, no sentido de coerente com o que ocorria na realidade (exemplifica com "M" no gráfico abaixo). Esse resultado é de importância considerável. Demonstra que um ciclo semi-regular pode ocorrer mesmo que a “equação do ciclo econômico” envolva uma dose substancial de amortecimento. Fica assim eliminada a necessidade de aceitarmos o ciclo explosivo como sendo o padrão geral das flutuações econômicas, o que havíamos considerado em desacordo com a realidade.
PARTE SEXTA - O Desenvolvimento Econômico a Longo Prazo
Pgs. 161-173
"CAPÍTULO 14: "O Processo de Desenvolvimento Econômico"
88 - Choques e crescimento constante: A magnitude dos choques se acha nitidamente relacionada com o tamanho da economia, cujo crescimento a longo prazo tende dessa forma a aumentar a magnitude desses choques. O “teto” também se deslocará mais ou menos proporcionalmente à tendência de y, de modo que a distância entre a “linha do teto” e a linha da tendência aumentará também com o crescimento geral da economia.
89 - O resto do capítulo não dá pra entender. Ao menos sem esforço. Quem quiser...
90 - Ao fim do capítulo, coloca que ritmo progresso técnico menor leva a diminuição da taxa de lucro e dos investimentos. Se aumenta o grau de monopolização, tudo fica ainda mais prejudicado.
Pgs. 174-179
"CAPÍTULO 15: "Os Fatores de Desenvolvimento"
91 - A teoria básica do investimento: ...o investimento em capital fixo por unidade de tempo é determinado (com um hiato temporal) por três fatores: (1) pela poupança bruta “interna” corrente das firmas; (2) pela taxa de elevação dos lucros; e (3) pela taxa de elevação do volume de capital em equipamentos. As duas primeiras influências são positivas e a terceira é negativa. Entende-se que o investimento em estoques é determinado pela taxa de elevação da produção.
92 - O mero reinvestimento tornaria a economia estacionária, coloca (Na prática, o investimento não costuma, porém, estar sempre acima, no longo prazo, do nível de depreciação?). Sustentamos que as inovações tendem a elevar o nível de investimento a longo prazo e portanto produzem uma tendência ascendente a longo prazo. (...) As inovações que surgem no decorrer de um dado período tornam mais atraentes os novos projetos de investimento.
93 - O enfraquecimento do crescimento das economias capitalistas nos últimos estágios de seu desenvolvimento se explica provavelmente, pelo menos em parte, pelo declínio da intensidade das inovações. Culpa, entre outros fatores, o crescente caráter monopolista do capitalismo.
94 - O que ele fala sobre poupança de quem vive de rendimentos pra mim não fez sentido. Não é propriamente o entesouramento. Esse valor essencialmente circula.
95 - As considerações dele sobre população achei viagem. Com o crescimento populacional, multiplicam-se os fatores (habilidades e tal) de produção também. Mais valor a ser gerado. Não tem que haver uma necessária queda dos salários.
96 - Conclusão do livro: Como já apontamos, nossa análise demonstra que o desenvolvimento a longo prazo não é inerente à economia capitalista. Dessa forma, torna-se necessária a presença de “fatores de desenvolvimento” específicos para sustentar um movimento ascendente a longo prazo. As inovações no caso.
97 - Por fim, há umas dez páginas de um apêndice estatístico que pouco me interessa. Passei o olho.
98 - Enfim, livro bem chato e complicado. Muito se perde.
FIM!
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